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Mulheres na agricultura: representatividade crescente e muito trabalho

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Lugar de mulher é onde ela quiser – inclusive na agricultura. Presentes em postos de operação, planejamento, finanças e em cargos de liderança, as mulheres têm cada vez mais visibilidade no segmento da agropecuária. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de mulheres na condução de propriedades rurais aumentou 38% em todo o País entre 2006 e 2017. Apesar desse avanço, elas ainda são minoria entre os proprietários: no Brasil, 19% dos estabelecimentos rurais têm mulheres como proprietárias, e em São Paulo essa proporção é de 13%.

Pensando nos desafios enfrentados, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Internacional da Mulher Rural. Celebrada em 15 de outubro, a data comemora o avanço da força de trabalho feminina no campo e coloca em evidência o protagonismo das mulheres da área. Por isso, conversamos com seis paulistas que trabalham em diferentes segmentos da agropecuária. Ísis Guimarães é produtora de tomates em Pindamonhangaba, Patrícia de Oliveira é apicultora em Bragança Paulista e, em Presidente Epitácio, Kátia Mastroto e Vera Lúcia Pereira comandam uma produção de tilápias. Siuze Agostinho Davanzo, presidente do Sindicato Rural de Uchoa, e Carla Campanha, presidente do Sindicato Rural de Iguape, também falaram a respeito dos desafios e contribuições das mulheres na agricultura.

Mulheres à frente, há muito tempo

Embora seja mais comentada do que há alguns anos, a presença feminina no campo está longe de ser uma novidade. “Acho que a presença da mulher na agricultura familiar sempre foi marcante, principalmente na gestão da propriedade. Já no agronegócio, houve um aumento expressivo nos últimos anos”, observa a presidente do SR de Iguape. Essa posição é endossada pela dirigente do SR de Uchoa. Segundo Siuze, ela própria vinda de uma família de agricultores, a posição da mulher na área é algo consolidado – mas ainda falta o reconhecimento social. “A contribuição da mulher no meio rural ocorre em todos os setores do agronegócio, indistintamente. Seu papel na produção de alimentos é primordial, mas ainda necessita de visibilidade e reconhecimento, tanto pela sociedade quanto por suas próprias famílias. Infelizmente, as mulheres são tidas como ajudantes da família, e não trabalhadoras de fato”, pontua a dirigente.

Embora o senso comum ainda não veja as mulheres como grandes condutoras de negócios agrícolas, elas marcam presença na direção de diversas culturas. Kátia Mastroto desenvolveu o legado deixado por seu pai e hoje trabalha ao lado de uma equipe feminina no desenvolvimento da piscicultura. “Além de ter mantido a produção de tilápias, tenho uma fileteria regularizada, forneço meu produto em restaurantes e supermercados da região e desenvolvi vários subprodutos evitando o descarte. Criei uma cooperativa de curtimento de couro de peixe liderada exclusivamente por mulheres, atualmente com sete integrantes, onde alimentamos esse lindo sonho de expandir os negócios da região, gerar empregos e deixar um marco feminino em um mercado que está em plena ascensão”, afirma ela, que trabalha ao lado de Vera Lúcia.

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Patrícia também comanda um negócio criado por um familiar. Em 2013, pouco de antes de falecer aos 93 anos de idade, seu sogro pediu que o filho e a nora o levassem ao sítio onde criava algumas colmeias. “Tem que cuidar das abelhas!”, falou, categórico. Uma ordem que Patrícia segue com carinho e dedicação. “Não deveria existir esse comparativo entre sexo masculino e feminino, pois penso na capacidade que cada indivíduo tem de desenvolver. Mas me perguntam se sou eu mesma que vou ao apiário e tiro o mel. Eu respondo que sim, e que também abro buraco para fixar cavaletes! Hoje as mulheres estão dominando em várias áreas. Por ser versátil e detalhista, a mulher tem um diferencial. Se a mulher faz algo, é sempre com maestria”, diz.

Estudo e comprometimento como caminho para crescer

Ao assumir o apiário deixado pelo sogro, Patrícia encontrou no SENAR-SP as ferramentas necessárias para que o negócio prosperasse. “Fizemos curso de apicultura, meliponicultura e mel na gastronomia, que são ótimos. Depois, passamos a participar da feira do produtor rural, que aqui em Bragança ocorre às quintas e sábados. Estou lá, e adorando!”, garante. A educação fortalece todos os negócios rurais, e com as mulheres não é diferente. Ísis conta que ainda enxerga obstáculos à atividade feminina, e que o conhecimento é arma para combatê-los. “Uma das particularidades negativas, e acho que deva ser a mais comum, é duvidarem do nosso conhecimento no assunto. Mas em contrapartida as pessoas vêm tentando se educar a aceitar, e tratar com normalidade. É o tempo e determinação das mulheres se encarregará de colocar as coisas no lugar”, acredita. Para ela, o Dia Internacional da Mulher Rural deve ser celebrado. “Podemos debater as diversas maneiras pelas quais podemos romper o preconceito masculino e até mesmo feminino, e celebrar essa data mostrando que estudo e conhecimento são fundamentais para que as mulheres continuem se projetando. Desejo que as mulheres não desistam, que estudem muito e adquiram cada vez mais conhecimento do seu negócio. Que o preconceito seja motivação para seguir com a liderança!”, completa.

Siuze é um exemplo da persistência feminina. “Como presidente mulher do Sindicato Rural de Uchoa, vivi preconceito em razão de ser uma mulher assumindo esse tipo de cargo em um meio machista. Mas aos poucos, com meu árduo trabalho e comprometimento, fui conquistando o meu espaço no setor do agronegócio. Tanto que hoje, além desta presidência, também exerço o cargo de conselheira fiscal na FAESP e a presidência do Conselho Municipal de Turismo de Uchoa”, conta. Carla Campanha, presidente do SR de Iguape, já trabalhou com agricultura em diversos municípios e acredita que a única diferença real entre homens e mulheres se dá em relação à força física. No resto, as mulheres não têm nada a dever. “Nos últimos anos houve uma maior divulgação das mulheres na frente de trabalho e uma menor discriminação, tanto por parte das empresas em contratar e por parte das próprias mulheres, que sabem que podem fazer todos os tipos de trabalhos, que não é feio nem vergonhoso”, afirma. Ela conta que entre os sócios do Sindicato 20% são mulheres, mas que a participação feminina é maior na prestação de serviços e cursos. “Tenho percebido nos últimos tempos o aumento da participação de moças, no funcionamento de propriedades da agricultura familiar”, completa.

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Representatividade e inspiração para o ano inteiro

Kátia Mastroto observa que a união feminina também é um importante ingrediente para o progresso dos negócios comandados por mulheres. “Na região onde resido e crio os meus peixes sou uma das pioneiras e me impressiono com o número de mulheres que atuam e se interessam por este negócio. Fico orgulhosa em saber que em cada canto do País tem uma mulher mais competente que a outra, e que juntas somos imparáveis, tanto que atualmente temos a representatividade de 52% de mulheres no setor”, conta. Para ela, o Dia Internacional da Mulher Rural não pode passar em branco. “A celebração ideal seria a mulher conhecer sua plenitude e excelência em tudo que se propõe a fazer. Não ofusquem seus desejos por uma sociedade machista, levantem, estudem, não se intimidem e continuem escrevendo essa linda história”, aconselha.

Para a presidente do SR de Uchoa, a participação feminina deve ser incentivada durante todo o ano. “É interessante promover o bem-estar entre as mulheres, com a criação de ambientes de discussão e trocas de experiências. Além do natural networking, mulheres em posição de liderança são símbolos de motivação”, afirma Siuze. O dia 15 de outubro, no entanto, deve ser vivenciado de forma especial. “Meu desejo é que este dia seja um momento de se acolher em nossa mente, coração e, sobretudo, em nossas ações, as vozes das mulheres que vivem intensamente o agronegócio, seja no campo, na floresta ou nas águas. Estas mulheres que possuem o dom de gerar vidas humanas e de cuidar dessas vidas, assim como das vidas dos animais e dos vegetais”, completa.

Outras informações acesse o Portal FAESP/SENAR-SP: 

https://www.faespsenar.com.br/

Fonte: CNA Brasil

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Sétima edição da Feira Natural do Campo traz artesanato

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Roupas em crochê e peças de decoração feitas em palha de babaçu. Essas foram as novidades para quem compareceu na edição da Feira Natural do Campo, desta quarta-feira (01.12).

Juscimeire Maria de Arruda, artesã de Cuiabá, trouxe conjuntos, croppeds, coletes, mochilas e bolsas em crochê. Ela que tinha o crochê como hobby, o tornou profissão após ficar desempregada na pandemia. A Feira foi uma oportunidade de mostrar o seu trabalho.

“Minha filha me inscreveu e eu aceitei vir e mostrar os meus produtos”, afirma.

Vindo de Nossa Senhora do Livramento, Juliano Pinto Moura, trouxe artesanatos feitos em palha de babaçu. “Comecei a produzir em 2010, depois de aprender sozinho”. Juliano, que já é experiente em feiras na sua cidade, afirma que essa é a primeira vez que expõe seus produtos em um shopping. “É a primeira vez que eu venho e estou achando bom”.

Rita de Cássia, do Distrito de Aguaçu, expôs na Feira pela quarta vez, mas nessa semana também trouxe uma novidade: o feijão de corda. “Hoje uma cliente levou cinco pacotes porque lembra a infância dela e fazia muito tempo que não encontrava para comprar. É gratificante ajudar a relembrar essa memória”.

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Primeira vez – Esta edição foi a primeira da produtora rural Jucilene Moraes, do Distrito de Aguaçu. Ela trouxe variedades de alface, couve, jiló, maxixe, dentre e outros produtos. ” Sempre tive contato com o campo e agora vivo apenas dele. A Feira é uma oportunidade de nos tornar conhecidos”.

A Feira realizará a sua última edição de 2021 na próxima quarta-feira (08.12), feriado municipal. O evento ocorrerá das 17h às 21h, no estacionamento do Shopping Estação Cuiabá.

Fonte: CNA Brasil

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