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Agronegócio

No Dia Nacional do Café, qualidade da espécie coffea canephora de Rondônia é destaque

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A data foi oficializada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) em 2005, simbolizando a época de abertura das colheitas

 

Fruto considerado rico na região amazônica, o café é destaque na agricultura familiar de Rondônia há muito tempo. O Dia Nacional do Café é sempre comemorado em 24 de maio, data alusiva ao período de sua colheita. No Estado, o fruto mais comum é da espécie coffea canephora, gerando as variedades conhecidas como conilon/robusta, que são linhagens da melhor qualidade.

Oficialmente, o produto é colhido nas lavouras locais a partir do dia 10 de abril, data estipulada simbolicamente pelo Governo para destacar o período da safra que termina em agosto. Como processo natural, os produtores são orientados a colher os frutos quando estiverem 80% maduros, seguindo as seguintes etapas: abril (colheita precoce dos grãos); maio a junho (grãos intermediários) e de julho a agosto (grãos tardios).

Embora a coffea canephora não seja nativa do Brasil, mas de origem africana, suas condições edafoclimáticas (relativo aos solos e ao clima) permitem que o fruto se adapte excepcionalmente às terras rondonienses, por algumas características que variam desde altas temperaturas, baixas altitudes em relação a relevos e maior pluviosidade (chuvas) encontrados em regiões tropicais. Outra espécie cultivada em Rondônia é a chamada coffea arábica, porém, em proporções menores devido ao fato de suas distinções serem mais adequadas a locais com altitudes elevadas acima de mil metros.

É também graças à Cafeicultura (cultura da produção do café) que o Estado tem garantido seu desenvolvimento econômico. De acordo com o economista da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), Alex Rilie, em abril de 2021, o Valor Bruto de Produção (VBP) do café já atingiu a marca de R$ 1.065.203.009 (um bilhão, sessenta e cinco milhões, duzentos e três mil e nove centavos). Fator que estimula o próprio Poder Executivo a reconhecer e valorizar seu potencial produtivo.

PRODUTO NO ESTADO

Com a chegada de imigrantes vindos da região Sul do país na década de 60, ainda sendo a espécie do coffea arábica, as primeiras sementes de café chegavam a Rondônia, que mais tarde se tornaria uma das mais importantes cadeias produtivas da agricultura local. Conforme destaca o agrônomo Janderson Dalazen, somente na região existem cerca de 20 mil famílias que trabalham na cafeicultura em lugares voltados exclusivamente para o gênero, sinalizando a mesma como base familiar predominante.

O grão é produzido nos 52 municípios, no entanto, as cidades que mais se destacam são: Nova Brasilândia do Oeste, Alta Floresta do Oeste, Cacoal, São Miguel do Guaporé, Alto Alegre dos Parecis, Ministro Andreazza, Alvorada do Oeste, Machadinho do Oeste, Buritis e Novo Horizonte do Oeste. “Em geral, ele é produzido na região Porto Velho ao Cone Sul, mais são priorizados desde a zona da Mata aos lugares mencionados que é denominado região do Café”, complementa.

Rondônia é o 2º maior produtor nacional do coffea canephora. Em termos gerais de produção cafeeira, nosso Estado está na quinta posição no Brasil, diz Dalazen.

A espécie coffea canephora somente veio ao Estado, após a chegada de capixabas que traziam mudas e sementes para a região. Conforme mencionado anteriormente, os cafés conilon/robusta são os mais utilizados na agricultura, principalmente pela alta produtividade demonstrada na técnica de plantio “Café Clonal”, que consiste em práticas de irrigação e adubação, podendo gerar 100 sacas do fruto por hectare. “Um produto bem trabalhado desde a lavoura, feito escolha de variedades, colheita na hora certa, grãos maduros, passado por boas práticas de processamento e secagem, proporcionará um café de qualidade”, explica Janderson.

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FATOR IMPORTANTE

Mesmo com uma série de restrições impostas pela pandemia do coronavírus, a produção de café não foi afetada, pois o agronegócio sempre é amparado pelas ações estratégicas do Executivo Estadual. Apesar disso, outras situações adversas a exemplo do clima podem dificultar o bom desempenho da safra.

“O que se observou neste último ciclo foram precipitações bem abaixo do normal, como, por exemplo, as altas temperaturas”, explica Rilie, sobre os desafios da produção.

Em geral, independentemente da localidade, os efeitos de adversidades climáticas podem levar à ineficiência produtiva do café, possibilitando a redução de suas expectativas de produtividade. “Atualmente o clima está mais favorável, as chuvas passaram a ocorrer com mais intensidade e uniformidade, porém o volume de chuvas é menor em relação à safra passada, mesmo assim, favorecem a recuperação da colheita e a expansão dos frutos”, aponta.

Mesmo com essa realidade, a safra de 2020 foi de 2.444,9 mil sacas beneficiadas (o que se produziu), e devido ao período de escassez de chuva, a produção até o momento está em 2.298,0 mil sacas beneficiadas. O café conilon/robusta também tem sua relevância no processo comercial para outras regiões do Brasil e países do exterior. O economista informa que foram exportados no ano de 2020 um total de US$ 643.077, e só neste ano, o valor já chega a US$ 64.226.

INCENTIVO

O estímulo à produção de café ocorre através de várias frentes de trabalho, uma delas por meio da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril de Rondônia (Idaron), que atua no controle de qualidade das mudas de café, evitando a disseminação de pragas do tipo nematóide. “Um dos principais patógenos de raiz que poderia causar danos ao agricultor, se não fosse combatido desde o início”, explica Dalazen sobre a necessidade do apoio sanitário que a agência oferece.

Todas as mudas para fins de produção agrícola que circulam no Estado têm controle do Idaron. Outro apoio prestado, ocorre por mais um órgão público parceiro da Seagri, a Entidade de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/RO), que orienta os cafeicultores com procedimentos técnicos gratuitos.

Este ano ocorrerá a sexta edição do Concafé, com programação a ser divulgada

A Secretaria de Estado da Agricultura também vem contribuindo com o “Programa Plante Mais”, que tem como objetivo a distribuição de mudas de “Café Clonal” para estimular o crescimento da agricultura familiar. “Em 2021, a expectativa é oferecer cinco milhões de mudas para o projeto”, revela Dalazen. Considerado mais um complemento do trabalhador rural, foi criado este ano o Programa Rondônia Armazena Café (Pracafé), que ainda em fase inicial, visa estimular o produtor rural a estocar o fruto cafeeiro avaliando o preço de mercado.

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“Isso acontece na pós-colheita. O produtor vai armazenar os frutos produzidos em estabelecimentos credenciados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no prazo de um ano. E vai ser muito bom, pois vai ganhar antecipação financeira para a safra colhida, além de analisar o melhor comprador para o seu café, também vai dar condições de qualidade ao produto”, acrescenta.

Vale ressaltar que, para participar do projeto, o interessado deve ter café tipo 7 para melhor (classificação técnica estabelecida). Quanto aos juros das operações bancárias, cabe ao próprio Governo o ressarcimento dos encargos financeiros gerados, configurando um programa de juros zero para o agricultor familiar

Promovendo o potencial produtivo do setor cafeeiro, é realizado o Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé), reunindo anualmente os maiores cafeicultores do Estado, a fim de concorrer a prêmios em diferentes categorias. Neste ano, está sendo programado para acontecer a sexta edição do evento, a expectativa é que sejam atingidos mais de R$ 300 mil em premiações.

RECONHECIMENTO

A qualidade e excelência do conilon/robusta de Rondônia, já é perceptível a nível nacional, isso se deve ao fato de que no ano de 2020 dois participantes rondonienses conseguirem vencer em concursos renomados do país. Sendo uma moradora do município de Novo Horizonte campeã no “Coffee Of The Year”, da Semana Internacional do Café, na modalidade “canéfora fermentação induzida”. Um ganhador de Cacoal, desta vez no evento da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), que demonstrou a valorização do sabor inquestionável do seu produto.

Mais um diferencial da cafeicultura local é possível com a participação de comunidades indígenas no sistema produtivo, como: Suruís na cidade de Cacoal, os Aruás em Alta Floresta do Oeste e os Tuparis. “O café chegou a eles décadas atrás, durante a colonização, o interessante que eles produzem e cultivam em pequenas áreas, dentro dos limites da legalidade. Esses povos têm permissão para explorar suas próprias aldeias, um trabalho que estão fazendo cada vez mais e que destaca o café indígena regional e nacional”, enfatiza Dalazen.

Fonte: Governo RO

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Agronegócio

CNA discute autocontrole da defesa sanitária vegetal

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Brasília (28/07/2021) – A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) promoveu uma live sobre o autocontrole na defesa sanitária vegetal, na quarta (28). O debate foi moderado pelo diretor técnico adjunto da CNA, Reginaldo Minaré.

Participaram do debate o presidente da Comissão de Hortaliças e Flores da Confederação, Manoel Oliveira; do diretor de Sanidade Vegetal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Carlos Goulart; e do diretor de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa, Glauco Bertoldo.

Segundo Minaré, o autocontrole nas ações de defesa agropecuária vem sendo discutido há anos no Brasil e, agora, o desafio é a construção de um marco regulatório para o tema, por meio do Projeto de Lei nº 1.293/2021.

“A proposta surge como uma alternativa de ampliar e modernizar o escopo de atuação da defesa agropecuária, garantir maior liberdade aos agentes econômicos regulados, sem oferecer qualquer prejuízo à sanidade, inocuidade, qualidade, identidade e segurança dos insumos e produtos da agropecuária”, afirmou.

O objetivo da live foi compreender a lógica do PL e esclarecer conceitualmente e operacionalmente a diferença entre autorregulação e autocontrole. Além disso, os debatedores apresentaram a visão do estado e dos produtores rurais em relação ao processo de controle, fiscalização e auditoria da defesa sanitária vegetal, dos insumos agrícolas e dos produtos de origem vegetal.

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Conforme o diretor técnico adjunto da CNA, no autocontrole o produtor não cria regras e se compromete em seguir a legislação vigente.

Carlos Goulart falou sobre as expectativas em relação ao autocontrole na defesa sanitária vegetal e os principais pontos de aprimoramento e mudança na rotina do serviço de defesa agropecuária e de fiscalização e controle dos insumos agrícolas, que deverão ocorrer com a aprovação da proposta legislativa em discussão.

“É um processo de longo prazo e que vai demandar uma profunda transformação do setor privado, saindo da lógica de fiscalização para uma lógica mais de gerenciamento de risco e auditoria”, disse.

O texto da lei prevê que o autocontrole não será aplicado compulsoriamente aos agentes da produção primária, mas não impede que, voluntariamente, eles façam a adesão ao programa de autocontrole. A proposta não trouxe a definição de agente da produção primária, conceito que será interessante ser debatido e incluído na lei pelo Parlamento para esclarecer a zona cinzenta na fronteira entre a produção primária e industrial.

O diretor de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal do Mapa destacou a importância dos programas de autocontrole e dos protocolos privados de produção para garantia do acesso aos mercados e aprimoramento dos processos produtivos.

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“O nosso objetivo é criar um ambiente mais seguro e com regras mais claras, onde possamos dar respostas rápidas e ter um controle ágil de todo o processo. Isso vai nos levar a outro patamar e garantir um reconhecimento internacional ainda maior dos nossos produtos”, prevê Glauco Bertoldo.

Na opinião de Manoel Oliveira, ainda existe muita expectativa e desconhecimento sobre o PL. Ao contrário daqueles que pensam que a informalidade e a insegurança poderão aumentar, ele acredita que o autocontrole vai oferecer mais segurança e credibilidade para o setor, além de trazer uma presença do estado “quase em tempo real” no processo produtivo.

“As leis não mudarão e precisarão ser cumpridas. O setor produtivo está tendo que se adequar a essa modernização de consumo da sociedade, com novas tecnologias e processos mais transparentes. O produtor tem que ver esse projeto como uma vantagem competitiva e a possibilidade de agregar valor”, declarou o presidente da Comissão de Hortaliças e Flores da CNA.

Assessoria de Comunicação CNA
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Fonte: CNA Brasil

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