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SOBRE MOMENTOS DIFÍCEIS, A INSPIRAÇÃO NAS TEMPESTADES E O QUANTO CADA UM DE NÓS PODE (DEVE) FAZER PARA SALVAR VIDAS

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O maravilhoso Amistad, de Steven Spielberg, narra a dramática história de um motim ocorrido em um navio negreiro, quando os escravos rompem os grilhões e matam seus algozes, mas acabam aportando na costa dos Estados Unidos e, detidos, são julgados por assassinato e rebelião. As disputas jurídicas, políticas e humanitárias que circundaram o episódio acabaram contribuindo para fazer eclodir a Guerra Civil norte-americana.

Um grupo de abolicionistas, travando uma guerra aparentemente impossível de ser vencida (para se ter apenas uma ideia, quando o caso foi à Suprema Corte dos Estados Unidos, a imensa maioria – sete – dos juízes que decidiriam o destino dos pobres africanos eram também proprietários de escravos), procuram o ex-presidente John Quincy Adams, então advogado e congressista, clamando por ajuda.

O já idoso homem, relutante, naquele momento, em ajudar, saiu-se com uma resposta certeira e, embora fria e aparentemente insensível, extremamente eloquente: ENCONTREM ALGUÉM CUJA INSPIRAÇÃO AUMENTA À MEDIDA EM QUE PERDE…

Na dramatização, como na vida, os momentos mais difíceis são os que mais exigem dos homens de bem. A dificuldade da batalha, a escuridão dos momentos extremos não deve servir para esmorecer qualquer pessoa. Pelo contrário, quanto mais sinuoso o caminho, mais a perseverança, o talento e, sobretudo, a fé precisam prevalecer.

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No dia 25 de fevereiro de 2019 ele se encontrara com o Amigo. Tivera uma conversa de Deus com ele. Ficara absolutamente encantado com o Amigo. Que pessoa extraordinária, que eloquência, que discurso, que conhecimento das sagradas escrituras! Ficara maravilhado com tudo aquilo…

No entanto, o Amigo, então com 38 anos, era uma pessoa doente. Desde os 15 anos ele usava drogas e não conseguia se livrar disso de forma alguma.

Ele já tinha tido conhecimento do problema do Amigo há bem mais tempo. Desde sempre demonstrara enorme compaixão pelo destino do pobre Amigo, mas nunca se envolvera diretamente. As coisas mudariam naquele abençoado 25 de fevereiro.

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De quebra, ele ainda foi presenteado pela Mãe Septuagenária do Amigo. Ganhou um presente que é a coisa mais abençoada (ao menos em termos materiais) para se homenagear alguém: um livro. Um, não; dois!!!!!!!

A Querida Mãezinha do Amigo lhe presenteara com os livros Co-Dependência e Amor Exigente.

Aquele dia foi uma data absolutamente abençoada em sua vida. Aconteceram, ao menos, três coisas de Deus, cada uma rivalizando mais com a outra em termos de importância e simbolismo, para o passado, presente e mesmo para o futuro.

O episódio com o Amigo e os demais eventos foram registrados na primeira página do livro, mania que ele amava desfrutar.

Na parte que mais interessa diretamente a esse riscado, ele fez constar: DIA QUE FIZEMOS REUNIÃO COM DIÓGENES, UMA CONVERSA BÁRBARA, E COMEÇAMOS/FOMOS ADIANTE COM UMA INICIATIVA QUE, SE DER CERTO, SERÁ UM DOS MAIORES FEITOS DE TODA A MINHA EXISTÊNCIA: A SALVAÇÃO DE UMA PESSOA DE BEM… DE QUEBRA, AINDA GANHEI, DA MÃE DELE, ESSE E OUTRO MARAVILHOSO LIVRO…

Desta forma, iniciara, então, uma longa e árdua caminhada para tentar ajudar o Amigo a romper o flagelo de quase duas décadas e meia da maldita dependência.

Foram muitas conversas, muitas reuniões, muitos cafés com o Amigo e seus familiares. Muitas tentativas – vãs, para ajudá-los todos.

Teve época que ele se dirigia à casa do Amigo e de lá saía muito frustrado, sentindo-se tão impotente diante do terrível e insidioso inimigo (o crack!!!!!). Parecia que ele estava absorvendo a dor do Amigo e de Sua Família, que igualmente adoecera junto com ele. Em ao menos uma ocasião teve que ir à casa da Amada para acalmar o próprio coração…

Tantos anos de sofrimento…. Ele parecia absorver tudo e lutava para não se deixar ficar à mercê de sua impotência.

Não conseguia mudar nada. Por mais que se esforçasse.

Cerca de dois anos depois, finalmente um farol de esperança surgiu no horizonte.

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Em plena véspera da Quarta-Feira de Cinzas, um dia antes de iniciar a Quaresma (mais simbólico, impossível) de 2021, o Amigo, já não aguentando mais a tempestade de mais de seis meses de uso contínuo e praticamente diário de drogas, internou-se por livre vontade.

Surgira, então, finalmente, uma oportunidade de ouro. Ele parecia não caber em si de tanta felicidade. Finalmente, uma esperança! Porque, quando não há sequer uma esperança no horizonte, é a pior coisa possível de acontecer ao coração do homem. E era assim que ele estava se sentindo até então.

A internação do Amigo foi praticamente contemporânea com o nascimento de um grupo que estava se dispondo a ajudar (e ajudar maciçamente!), com toda a força dos corações de seus vários componentes, aquele infeliz dependente químico.

O grupo – intitulado sugestivamente Movimento DIO: O RESGATE DE UMA VIDA – passou a escrever cartas diárias, empreender orações semanais, propor uma série de providências, todas para fortalecer, o máximo possível, o coração daquele ser extraordinário, mas que estava adoecido, enclausurado, encarcerado no pior cárcere que pode aprisionar, ao menos hodiernamente, o coração e a alma do homem.

No entanto, no dia 11 de abril de 2021, o Amigo, já não aguentando mais a internação, implorou e seus pais o tiraram de lá. Bastaram 16 dias para o Amigo recair de novo, sendo vencido, uma vez mais, pela maldita sedução do crack.

Curiosamente, ele acabou se penitenciando muito por conta da desinternação e, sobretudo, recaída do Amigo – mesmo que estivesse, ele próprio, enfrentando uma terrível e irreparável perda pessoal/familiar, imposta pela mancha que colocou a humanidade inteira de joelhos.

Mesmo assim, ele, extremamente exigente que era para consigo mesmo, estava se penitenciando, quase que admitindo, até publicamente, o fracasso pessoal naquela que seria “a última internação do DIO”.

Não conseguira…. Todo o trabalho restara frustrado…. Ou será que não?

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Agro é mais que Pop!

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Mesmo sendo injustamente tratado como a “Geni” brasileira, o agro continua liderando o Brasil rumo a um novo padrão de desenvolvimento, em que a sustentabilidade ambiental, coordenada com a melhoria de índices sociais, serve como parâmetro mundial de prosperidade e de trabalho decente e justo.
Claro que ainda existem enormes avanços a serem construídos, mas é um dos setores em que o Brasil atua enquanto líder mundial na implementação das melhores práticas ambientais, sociais e de governança, também conhecidas como coluna “ESG”.
Criminosos há, entretanto, travestidos de produtores rurais, que destroem a Natureza e violentam os povos e saberes tradicionais. Buscam o lucro do extrativismo e da especulação fundiária, criando ínfimas cabeças de gado e plantando poucos pés de alguma cultura para justificarem a irregular titulação fundiária. Esses bandidos devem ser severamente responsabilizados.
O agronegócio brasileiro difere diametralmente dessa barbárie, buscando o desenvolvimento de mecanismos transparentes de governança que combatam esse tipo de criminalidade privada que só existe enquanto cultivada sob o manto da corrupção pública.
Por isso, posturas danosas são combatidas diuturnamente – como reconhecido no painel “Accelerating a just rural transition to sustainable agriculture”, na COP-26 -, com ações de reflorestamento e preservação coordenadas com práticas produtivas agropecuárias. A verdade é que o agro nacional é exemplo de postura ESG para o mundo, como referido no painel citado.
O agro brasileiro é responsável pela preservação de 33,2% das áreas ambientais no país. Os dados são resultado de um novo estudo divulgado pela Embrapa Territorial que mostrou que cerca de 1/3 das áreas protegidas no país estão dentro das propriedades rurais. O estudo analisou quase 6 milhões de estabelecimentos, por meio de dados do Censo Agropecuário e do Sistema Nacional do Cadastro Ambiental Rural (Sicar), e concluiu que os produtores preservam 282,8 milhões de hectares.
Outro dado relevante mostra que, em média, 49,4% das áreas das propriedades estão sendo utilizadas para atividade agropecuária, ou seja, praticamente metade fica preservada. Ao todo, o estudo da Embrapa indica que o Brasil possui mais de 66% de áreas protegidas e preservadas.
Ainda, a produtividade do agro brasileiro, segundo relatório do “Economic Research Service”, órgão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), foi a que mais cresceu no século 21, perfazendo índices de crescimento médio de 3,18% ao ano.
Reflexo dessa melhoria produtiva é a otimização no uso de defensivos agrícolas. Pesquisa recente, divulgada em evento organizado pela FAO/ONU, EMBRAPA, ABAG e ANDEF, mostra que o Brasil é um dos países com alta produção agrícola que menos utiliza químicos, proporcionalmente à sua produção. Além disso, há melhor aplicação de moléculas cada vez mais adequadas à cultura, gerando menores passivos ambientais e sociais.
O aumento de produtividade reflete-se, outrossim, na vida do trabalhador rural. Dados recentes do IBGE (Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira: 2021 / IBGE) mostram que houve melhora consistente nos indicadores sociais desses trabalhadores.
Além disso, o Brasil, signatário recente das Discussões Estruturadas de Comércio e Sustentabilidade Ambiental – iniciativa da Organização Mundial do Comércio (OMC) -, tem buscado alternativas para liberalizar o comércio agropecuário, eliminando subsídios e impulsionando uma agenda de sustentabilidade.
O protecionismo, muitas vezes implementado como barreira fitossanitária aos produtos brasileiros, gera maior distorção e insustentabilidade, na medida em que impede produtos brasileiros (mais “limpos”) de atingirem mercados, incentivando práticas subsidiadas insustentáveis e predatórias.
Em resumo, enquanto o agro nacional é ambientalmente adequado e socialmente justo, pautando-se pelas melhores práticas que visam ao aumento da dignidade do trabalho, o agro pouco produtivo, que necessita de proteção, costuma se pautar pelo vilipêndio ao meio ambiente e pela exploração da mão-de-obra.

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Entretanto, a Política Nacional de Inovação, (Decreto nº 10.534, de 28/10/2020), que deveria balizar a elaboração de políticas públicas referentes à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) padece de recursos orçamentários para sua efetivação.
O agro, ainda que seja extremamente produtivo e sustentável, necessita da existência de políticas públicas que incentivem a adição de maior valor agregado a seus produtos. Dessa maneira, a competitividade agropecuária brasileira, já grande, tenderá a um crescimento ainda maior.
Portanto, para que o agro continue sendo, cada vez mais, o motor “ESG” do Brasil, é necessária uma melhoria institucional que valorize a produtividade agropastoril de maneira mais inovadora e tecnológica.
Hoje, o Agro é Justiça, Inclusão e Sustentabilidade, e reúne potencialidade para ser muito mais!

 

*André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Sociais. Escritor, professor e palestrante .

 

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