PORTO VELHO

Colunistas

CONFÚCIO DÁ PUXÃO DE ORELHAS PÚBLICO NO COMANDO DA IDARON

Colunistas

Um puxão de orelhas público, avisa: toda a diretoria da Agência Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia, a famosa Idaron, está com a cabeça a prêmio. E quem avisou não foi qualquer um, mas o dono da caneta: o próprio governador Confúcio Moura. Ele escreveu, em seu Blog, nesse domingo, entre outras coisas: “A Idaron cresceu. O Estado cresceu. A Idaron é bacana. Sabe trabalhar. Mas, tem uma amarração burocrática que não deixa a Idaron fluir. Darei dois meses, apenas, dois meses, para que a equipe atual mostre serviço”. Se não houver melhoria na estrutura do trabalho da Idaron, dentro de 60 dias não só o comandante geral do órgão, o ex deputado federal Anselmo de Jesus, como todo comando, irão engrossar aquele triste número de 13 milhões e 800 mil desempregados do Brasil. Ué, mas um autarquia tão elogiada, por ter realizado com sucesso e ensinado o resto do país como realizar campanhas de vacinação contra a aftosa, de uma hora para outra caiu em desgraçada, sem mais nem mais? Na verdade não é bem assim. A Agência (por isso “a” Idaron e não “o” Idaron!), parou no tempo nas suas demais atividades, segundo fonte muito próxima à Confúcio. Não evoluiu em suas ações, por exemplo, para ajudar a superar a crise da carne, atingida fortemente desde a irresponsável operação da Polícia Federal que a colocou, no mercado internacional, como produto suspeito, embora no caso de Rondônia, absolutamente nada tenha sido denunciado. Ficou parada também (e ainda vive de bilhetinhos e papeizinhos, sem evoluir na integração de todo o sistema de governo que quer ser on line, até o final do ano), em questões  fundamentais como as da madeira, onde a falta de fiscalização correta, faz com que Confúcio escreva outro desabafo: “A Idaron deve cuidar da madeira. O madeireiro rondoniense está passando vergonha. Suas cargas são presas em Mato Grosso. Perdidas. Ou multadas. Será preciso desenvolver a parte que a Idaron não fazia de rotina, o controle e a tipificação das espécies vegetais. Fazer logo”.

Enfim, Confúcio está sendo Confúcio: transparente e público, sem esconder para debaixo do tapete, problemas internos do governo e sem deixar de criticar áreas que não estão funcionando. Bateu firme.

 

 

 

“FAÇA MOVIMENTAR A MÁQUINA!”

Veja só outras críticas do chefe ao comando do órgão: “A Idaron  cresceu muito sua abrangência de ação, principalmente, nas agroindústrias e só há dois técnicos para fiscalizar o Estado inteiro. Já falei: terceirizar serviços, acreditados com base em editais. E pronto. O que é feito em outros estados da federação. Solte o serviço e vamos atender bem a todos”. Diz mais, em seu blog: “ A Idaron deve melhorar a parte de tecnologia em suas agências. Treinar o pessoal, colocar tudo na Internet. Ser transparente. Claramente. Translucidamente. E cuidar da fronteira com a Bolívia, com esmero e técnica”. Continua: “É preciso formar um núcleo gerencial e administrativo competente. Entrosado. Comprovadamente competente. Que faça movimentar a máquina. E gastar, bem gastado, o dinheiro do FESA. Não se justifica tanto dinheiro em caixa, sem gastar bem gastado. E deixando o pessoal no interior à míngua!”

Leia Também:  "MR"... MADURO DE RONDÔNIA

 

PROTEÇÃO SÓ AOS ANIMAIS

Várias denúncias estão sendo enviadas às chamadas autoridades competentes, denunciando um carroceiro, cheio de tatuagens, que já cumpriu pena por agressão e recentemente atacou na rua, sem qualquer motivo, um trabalhador que estava distribuindo panfletos. Mesmo com o risco  que o sujeito representa para a sociedade, até agora nenhuma providência foi tomada para tirá-lo das ruas e proteger suas futuras vitimas. Mas, enfim, surge uma luz no fim do túnel. Como o celerado não vai preso por atacar inocentes a pauladas, pode sê-lo porque anda maltratando um burrico que puxa sua carroça. Atacar, ferir, deixar sequelas e até matar pessoas, aí pode. Mas quando se tratar de animais, nossas leis são duríssimas, porque, ao contrário das leis feitas para proteger bandidos, as que protegem os animais são cumpridas com dureza. Pode ser que, por causa dos maus tratos ao burro, o maluco que ataca pessoas nas ruas seja, finalmente, preso! É esse o retrato ridículo das leis nesse país, tão idiotas quanto quem as aprovou!

 

COFRE NAS COSTAS

Idiotizados pela ideologia, grupos de esquerdistas, pelas redes sociais, fazem de conta que o assalto praticado ao país pelo PT e seus aliados não aconteceu. Ficam se fazendo de opositores corretos, como se tivessem a alma limpa e não tivessem se omitido na roubalheira institucionalizada imposta ao Brasil. Plantam notícias, inventam, ampliam o que já está ruim. Pintam a esquerda com as cores da beleza, esquecendo-se que do pescoço para baixo estão nus. E que nudez horrorosa! Jogando gasolina no fogo, vão fazendo crescer o outro lado, o oposto do oposto, o perigo tão grande para nosso país, quanto o são esses celerados que se fazem de esquecidos, andando com um cofre recheado de dinheiro público nas costas, mas fazendo de conta que os ladrões são os outros. Vão acabar transformando Jair Bolsonaro em herói nacional, dando-lhe a Presidência numa bandeja. Pobre de nós, com esse tipo de gente! Dos dois extremos…

 

OS COMUNISTAS VÊM AÍ!

O PCdoB ainda existe, acreditem! E anuncia o lançamento de duas candidaturas em Rondônia, para 2018. Um é o jovem Jackson Chediak, professor e advogado, que será o nome do partido para disputar o Governo do Estado. Jackson é um personagem até agora totalmente desconhecido na vida pública, mas o PCdoB acha que o eleitor vai mesmo em busca de caras novas na política, como o fez, aliás, com Hildon Chaves, que saiu do anonimato para ganhar a Prefeitura de Porto Velho, em poucos meses. Já para o Senado, os comunistas anunciam a candidatura do professor Francisco Pantera, uma figura bastante popular no seu meio, muito mais por ser um personagem folclórico do que um  militante comunista. Mesmo assim, a dupla será lançada como pré candidata num encontro do partido na sede do PCdoB, no centro de Porto Velho, nesta próxima quinta. Se alguém achar que os dois têm alguma chance, receberá o troféu de Maior Otimista do Século!

Leia Também:  Consequências da MP Verde Amarela

O APITO DO TREM

Tem dinheiro. Tem projeto básico. Tem interesse de parte das autoridades, embora outra parte alegue que não há mais estrutura do solo para suportar uma obra de tal porte. Mas a verdade é que a volta do trem da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, no trecho até Santo Antônio, cerca de sete quilômetros, ainda está longe se se tornar realidade. Além do solo frágil, seriamente prejudicado pela enchente histórica de 2014, a Prefeitura precisar retirar das proximidades dos trilhos várias famílias e até prédios inteiros, já que há necessidade de um afastamento de 50 metros de cada lado, para que o trem possa voltar a circular. É tanta burocracia, é tanta imposição de bobagens (com exceção da má qualidade do solo, que é uma coisa muito séria), que não se sabe quando e se o trem vai voltar a apitar no trecho histórico. A Santo Antônio Energia, consórcio responsável pela hidrelétrica, faz a sua parte: tem 20 milhões de reais guardados, para investir no projeto. Isso se um dia ele andar…

O IMPOSSÍVEL É POSSÍVEL!

Os produtores rurais e os moradores da região da Comunidade do Belmont já estavam perdendo as esperanças de que, um dia, pudessem voltar a escoar sua produção e utilizar a estrada que liga o setor à Capital e que estava praticamente destruída, desde a grande cheia de 2014. Mas, num grande esforço, mobilizando equipes e máquinas, a turma da Prefeitura conseguiu, em poucos meses, o que parecia impossível: recuperou os 10 quilômetros críticas da Estrada do Belmont. Houve festa, almoço bancada pela comunidade e até música ao vivo, para a inauguração das obras recém concluídas. A Secretaria de Agricultura liderou o serviço e quem vive e mora naquela região, onde os pequenos agricultores tentam sobreviver com imensa dificuldade, ficou extremamente grato pelo trabalho realizado. Enfim, não é tão difícil assim para uma administração atender aos anseios da população, mesmo que não com toda a grandeza que se imagina de uma obra desse tipo. Com esforço, boa vontade e olhos voltados ao interesse público, dá pra fazer as coisas sim. No Belmont, elas foram feitas. E isso merece comemoração!

 

PERGUNTINHA

Se você pudesse apostar para ter a chance de ganhar um bom dinheiro, colocaria suas fichas no afastamento do Presidente Temer pelo Congresso ou optaria por jogar na possibilidade de que ele fica até o fim do seu mandato? 

COMENTE ABAIXO:

Propaganda

Artigos

Sem licença, sem usina de Tabajara

Publicados

em

Foi negada a licença para instalação da usina de Tabajara (400 MW), a ser implantada no rio Machado, na Cachoeira 2 de novembro, em Machadinho D’Oeste (RO). Fato que já começou a gerar polêmica e ataques ao Ibama. É a velha retórica de que o Ibama é contra o desenvolvimento, que não deixa fazer nada para o bem do povo, que é culpa dos ambientalistas, das ONGs e por aí vai, chega a ser cansativo a mesma ladainha de sempre.

Conheço bem a região, na adolescência morei lá. Isso me dá propriedade para expor minha nessa opinião. Tenho consciência que muitas pessoas certamente discordarão da minha opinião, porém tenho motivos e argumentos de sobra para defender os pontos de vista elencados no parecer que sustenta a decisão do Ibama.

Primeiro quero abordar uma questão importante a ser analisada sobre os inúmeros exemplos dos efeitos negativos desses grandes empreendimentos na Amazônia. Um sonho para alguns e pesadelo para muitos. Da maneira que são tocados, consolida-se a celebre frase: “Privatizar o lucro e socializar os prejuízos”. Essa afirmativa significa que os lucros de uma obra dessa magnitude são destinados para algumas poucas pessoas, as quais, no decorrer da construção concentram vultuosos lucros, em geral financiados com recursos de bancos públicos, fato que se repete durante a operação do empreendimento.

Socializar os prejuízos é quando o impacto social e ambiental é compartilhado pela sociedade, durante ou pós construção. Esses se relacionam ao aumento da criminalidade, crescimento populacional desenfreado, pressão sobre os sistemas de saúde e educação, principalmente onde a infraestrutura já é deficitária, e uma lista imensa que estenderia demais esse texto.

Para convencer a população loca, esta é levada a acreditar que haverá desenvolvimento, geração de riquezas, novas oportunidades, além de que serão pagas vultuosas indenizações, compensações e durante a geração da energia os royalties pelo uso da água para manutenção e melhoria dos serviços públicos. Porém o que na prática acontece é criação de bolsões de pobreza, subdesenvolvimento e concentração de renda e terras.

No caso da usina de Tabajara, o desenvolvimento do parecer foi realizado por seis analistas ambientais do Ibama e 2.100 horas de análise técnica dos estudos. Trata-se de um parecer extremamente fundamentado e que demonstra a fragilidade dos estudos apresentados.

Leia Também:  ‘Consciência democrática’,

Foram apontadas inúmeras fragilidades, inconsistências, informalidade científica e ausência de informações, tanto no Estudo de Impacto Ambiental – EIA, como também nas complementações apresentadas pelo empreendimento. O que foi apresentado ao órgão licenciador não possibilita sustentar uma decisão favorável de viabilidade do empreendimento.
O parecer ressalta que é “indispensável a complementação do Estudo de Impacto Ambiental (EIA), com maior esforço de aquisição e análise de dados cientificamente válidos, a fim de esclarecer questões relacionadas à viabilidade ambiental, além de rigor na avaliação de impactos ambientais já solicitados pelo Ibama”.

Os estudos não foram capazes de apresentar dados suficientes da delimitação do reservatório. Essa não determinação exata da área de alagação, pode resultar em área de inundação maior e mais extensa que o proposto pelo EIA. Ou seja, áreas com ocupação humana consolidada e histórica podem ser afetada e expulsar compulsoriamente seus habitantes, além de se estender por áreas de floresta conservadas, matando animais, plantas e causando impactos maiores do que os previstos.

Os estudos relativos à fauna e flora da região de impacto, possuem inconsistências e solicitações não atendidas e/ou parcialmente atendidas. Nesse quesito não foi possível avaliar com clareza os dados sobre os impactos sobre a fauna. Nem as ameaças aos anfíbios e répteis com ocorrência específica para a região onde o empreendimento está planejado, e quais as ações de mitigação para evitar a extinção dessas espécies únicas.

Chama atenção o fato de não terem coletados dados atualizados de desembarque e comercialização de pescado. O parecer ressalta “o fato de não existir pontos de desembarque e/ou comercialização na área não justifica de forma conveniente a não obtenção de dados pesqueiros com o uso da metodologia solicitada, uma vez que existem adaptações aplicáveis ao caso concreto”. O estudo deixou de caracterizar e analisar a pesca de subsistência, identificando a sua importância para a composição da renda familiar, número de pessoas envolvidas e o grau de impacto do empreendimento nesta atividade, dados que são de alta relevância para propor as medidas de mitigação e compensação a esse impacto.

É certo que mais uma vez o Ibama, principal órgão de comando e controle ambiental do país, será mais uma vez alvo de inúmeras críticas e considerado o “vilão” e o responsável por “travar” o desenvolvimento. Porém, o que o órgão faz é de grande relevância e busca discutir as melhores alternativas para que os impactos sejam corretamente, ou o mais próximo disso possível, identificados, mensurados, mitigados e compensados.

Nossa sociedade precisa compreender a importância do licenciamento ambiental para sua própria qualidade de vida e repartição dos benefícios seja para o bem da coletividade, e não para gerar mais problemas. Deve-se amadurecer a ideia de que se busca o contínuo aperfeiçoamento técnico para essas importantes obras de infraestrutura. Modo que elas tenham maior eficiência e menos impactos ambientais e às pessoas. Homem e natureza coexistem, são inseparáveis, esse deve ser o entendimento que devemos ter.

Enquanto isso acompanhamos ataques do congresso nacional contra o licenciamento ambiental; Aumento do desmatamento na Amazônia, investigações da polícia federal no Ministério do Meio Ambiente, ataques de parlamentares do estado de Rondônia para reduzir unidades de conservação, inúmeras invasões para grilagem de áreas protegidas e terras indígenas e por aí vai.

Basta olhar para identificar de que lado estão aqueles que buscam seguir as leis do país, inclusive as normas ambientais, daqueles que querem destruir todo esse aparato de proteção e/ou simplificar mecanismos para ganhar no grito o poder de destruição de nossos ecossistemas naturais. Não se trata de impedir desenvolvimento coisa nenhuma, trata-se de fazer o que é certo para garantir o bem-estar coletivo.

REFERÊNCIA:

Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Coordenação de Licenciamento Ambiental de Hidrelétricas, Obras e Estruturas Fluviais. Parecer Técnico nº 65/2021-COHID/CGTEF/DILIC. Disponível em: https://sei.ibama.gov.br/documento_consulta_externa.php?id_acesso_externo=133596&id_documento=11012005&infra_hash=b0559b3144298721827ff3957883b0fc

Leia Também:  Consequências da MP Verde Amarela

 


[1] Biólogo na Oscip Ecoporé, Mestre em Ciências Ambientais e Doutor em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente pela Unir, Vice-Presidente do Conselho Regional de Biologia da 6ª região. É colunista de sustentabilidade na Rádio CBN Amazônia em Porto Velho e Guajará-Mirim e pesquisador no Lahorta – Laboratório de Heurística de Sistemas Agroalimentares da Amazônia.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍCIA

RONDÔNIA

PORTO VELHO

POLÍTICA RO

MAIS LIDAS DA SEMANA