PORTO VELHO

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O SILÊNCIO DE HERMINIO COELHO SOBRE AS DENUNCIAS DE SONEGAÇÃO DO PRESIDENTE DO SEU PARTIDO SERIA UMA MUDANÇA DE HÁBITO?

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FILOSOFANDO
“A linguagem política destina-se a fazer com que a mentira soe como verdade e o crime se torne respeitável.” GEORGE ORWELL (1903/1950) era o pseudônimo usado por Eric Arthur Blair, escritor, jornalista, ensaísta e político inglês nascido na Índia Britânica (Bengala) quando o país era simples colônia inglesa.

CENTENÁRIO
A principal promoção do calendário de eventos do Centenário do Jornal Alto Madeira acontece nesse sábado, dia 15, com o lançamento do selo postal de 100 anos e a exposição sobre a vida do jornal, às 19 horas na Casa de Cultura Ivan Marrocos (nome do saudoso editor do AM), bem no centro de Porto Velho.

ESPECIAL
E também em comemoração da data, a edição de hoje do AM é especial, com matérias assinadas por vários jornalistas e colaboradores que frequentaram ou ainda estão presentes no dia-a-dia de suas páginas. O editorial – como não poderia deixar de ser, do mestre e decano do jornalismo rondoniense, o diretor geral da publicação, Euro Tourinho, vai destacar que a vocação desse hebdô centenário sempre foi e continua sendo a liberdade.
No geral, os demais textos especiais seguirá o mesmo condão, sobre a importância da informação livre e sobre o patrimônio cultural em que se converteu o AM ao longo dos 100 anos de circulação. Graças a muitas das intervenções do Alto Madeira – da defesa de bandeiras históricas – Porto Velho chegou aos dias de hoje com essa feição cosmopolita que permite à cidade consolidar em futuro breve o cenário moderno-eclético e, sobretudo, republicano, o que é a aspiração da maioria de seus moradores.

OBVIO ULULANTE
Deu em toda a imprensa amestrada e sempre disposta a blindar Valdir Raupp et caterva: “Raupp nega acusações de delatores…” Ué, queriam o que? Uma confissão pública? Tadinho do Raupp, tão inocente, tão cândido, tão vítima. Negar, negar e negar: isso é o óbvio ululante. Esse é o mantra, e cantiga de todos, mesmo diante de todas as evidências. Nesse cenário de terra arrasada, a conversa bovina dos partidários do barbudo de Rolim não alivia nada. Só serve para quem ainda vive na ingenuidade de acreditar na virgindade dos políticos rondonienses. Tudo feito às claras, né? Tudo devidamente aprovado pela Justiça Eleitoral, né? É, parece ser fácil fazer a Justiça Eleitoral engolir lorotas… Ah!, já sei, você com esse olhar atravessado está convencido também de o Lula é uma vítima e que não tem nada a ver com esse pantanal fedorento de corrupção em que o Brasil se transformou. Vá se roçar nas ostras, ô mameluco!

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SÃO SUSPEITOS
Se os órgãos do controle externo rondonienses começar um trabalho mais profundo de investigações nas principais instituições políticas e de governo do estado, podemos ter por aqui efeitos semelhantes ao que vemos no plano nacional, com a bomba jogada pelo ministro Edson Fachin, o relator da Lava Jato no STF.
Nossos procuradores do MP, nossas autoridades do TCE ainda não demonstraram vigor necessário, indo a fundo nas investigações nem mesmo de nomes notórios dos capítulos mais conhecidos das maracutáia. Você, leitor, sabe de alguma investigação séria sobre a invasão dos comissionados nas instituições públicas locais? O colunista confessa: não ouve falar sobre nada disso.

CORRUPÇÃO ATIVA
Se instituições como MP e TCE escarafunchar contratos dos órgãos públicos com prestadores de serviço em áreas manjadas como limpeza, segurança privada, aluguel de automóveis, compras ou aluguéis de imóveis, contratos de propaganda (a lista é longa), etc, etc, etc, certamente descobrirá crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de cartel (afinal, não é o que acontece – só para exemplificar – no segmento do transporte urbano e coleta de lixo??) e fraude em licitação.
Enquanto as brechas da legislação facilitar aos espertalhões buscar na política a ferramenta para se fazer fortuna rapidamente a corrupção não deixará de ser generalizada no país. Essa é a constatação que vemos hoje diante do envolvimento da maioria dos políticos, inclusive os de Rondônia.

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LIVRAI-NOS
Nenhum estado, por pior que seja seu eleitorado, não mereceria no seu governo um Cassol outra vez (não é possível que esse personagem pense mesmo em voltar ao comando rondoniense), um Raupp de novo ou (meu Deus!) um sujeito que tenta justificar como válida sua decisão de não pagar impostos e sonegar mais de bilhão de reais…
É verdade que o eleitorado (excetuando o de Vilhena) vem procurando um melhor caminho para Rondônia. Em Porto Velho a enorme renovação da Câmara Municipal é um balizamento disso. Mas no resultado final a sensação é de que ainda estamos longe da solução ideal. Muita escória da política sobreviveu e até corruptos notórios retornaram ungidos pelo voto. Talvez seja importante – diante dos entraves às ações da Justiça para apartar esses lombrosianos ladrões do dinheiro público com rapidez – rezar por uma intervenção divina.

POR CIMA
Coisa boa é estar por cima da carne seca. Ontem chegou aos ouvidos do escriba uma notícia reveladora de como magnata procura cercar-se da melhor blindagem. Um dos senadores listados na Delação do Fim do Mundo, ou seja, na lista de Fachin, já entabula negociações para contratar nada mais e nada menos que o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, o preferido dos miliardários, um dos mais caros criminalistas do Brasil.

CALOU-SE
Intrigante como as pessoas mudam seu viés ideológico sem maiores explicações. O deputado José Hermínio, político com raiz profunda no petismo, acostumado a fustigar o governo e seus acólitos sempre que identifica algum ranço de desvio ético, ficou completamente calado diante da demolidora denúncia feita contra o Senador Acir Gurgacz pelo também senador Ivo Cassol em relação à sonegação mais do que bilionária contra os cofres do estado.

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QUANDO É DEUS QUE NOS CONFIA A MISSÃO

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Ele, como invariavelmente acontecia numa vida de quase meio século (ao menos a partir dos tempos de faculdade), estava com muita pressa.

Já era por volta de 09 horas e precisava trabalhar. Embora estivesse em teletrabalho, algumas coisas precisavam ser encaminhadas ainda pela manhã.

Trazia consigo o conforto de já ter feito a sagrada atividade física e ainda ajudado a noiva, que tanto amava, em algumas pequenas atividades domésticas.

No cruzamento das Avenidas Guaporé e Calama algo lhe chamou a atenção. Algo que, infelizmente, está cada vez mais comum na Capital das Terras de Rondon.

Havia um Senhor, provavelmente venezuelano, com duas crianças bem pequenas, certamente com menos de cinco anos cada, muitos lindas a despeito de maltrapilhas, os três tentando se esconder do sol escaldante, que o Prefeito Hildon Chaves já disse que “existe um sol para cada cidadão em Porto Velho”.

Pegou algumas moedas e chamou o pedinte. Perguntou por que as crianças não estavam na escola. Ele disse, no seu idioma (num Portunhol, na verdade), que não era a sua culpa.

O sinal abriu e ele seguiu, mas foi com o coração apertado, não sem antes proferir uma sentença motivacional: tenha fé que vai melhorar!

Alguns quarteirões bastaram para dar um aperto ainda maior no peito; como se Deus estivesse mandando voltar.

Apesar da pressa para ir trabalhar em casa, não titubeou. Deu meia volta e foi conversar melhor com o estrangeiro.

Descobrira que as crianças não estavam estudando porque ele não conseguira vaga numa escola pública e, naturalmente, não podia pagar uma particular.

O venezuelano insistia que precisava mesmo era de um trabalho.

O homem, cujos méritos todos na vida foram conseguidos pelos livros e pela educação, disse que primeiro conseguiria uma escola para as crianças; depois tentaria ajudá-lo com o trabalho. Pegou o celular da esposa do pedinte, puxou a maior cédula que tinha na carteira e renovou o pedido para que tivesse fé que as coisas iriam melhorar.

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Infelizmente, essa situação – pedintes pelas ruas de Porto Velho – está proliferando mais que coelho no cio.

Hoje em dia é uma raridade não ter ao menos um num semáforo, mesmo distante do Centro (Avenida Mamoré, por exemplo); não raro com crianças, às vezes até bebês, a tiracolo.

Hoje eles estão até nos restaurantes e farmácias, ainda que travestidos de vendedores do que for. Para não ir muito longe, fiquemos só com a situação dos venezuelanos.

De acordo com dados oficiais da SEMASF – Secretaria Municipal de Assistência Social e Familiar, gentilmente compartilhados pelo Senhor Claudi, titular da pasta, são vinte e dois venezuelanos apenas no abrigo da Prefeitura.

Embora não se tenha feito nenhuma pesquisa, muito menos se saiba de qualquer uma, atreve-se a dizer que deveremos ter centenas de venezuelanos por aqui.

O mesmo que foi abordado, por exemplo, reside numa casa e, de certo, está longe dos registros oficiais, como o céu da Terra.

São tantos que já têm até uma associação, ainda segundo o prestativo secretário. Já passaram mais de trezentos por aqui, conforme ele mesmo disse.

Se a solidariedade e compaixão (leia-se AMOR) que existe no coração de todos nós não for acionada, essas pessoas continuarão a sofrer pela falta de duas coisas mais elementares que pode afligir o cidadão de bem e que estão expressas até na nossa Constituição Cidadã: A EDUCAÇÃO E O TRABALHO.

A maioria desses venezuelanos está com uma placa pedindo emprego! Vários deles são letrados (certa feita viu até um que era advogado!). Ontem mesmo, no cruzamento da Raimundo Cantuária com a Rio Madeira havia uma engenheira mecânica, se a memória não nos é falha, com uma criança como se fosse um marsupial (sim, um canguru!!!!!). O marido ficou na Venezuela. Ela nem tinha celular.

Será se as grandes empresas de Porto Velho não poderiam absorver essa força de trabalho?

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Repare-se que não se fala de filantropia, pelo menos não no sentido mais puro da palavra; mas, simplesmente, dar uma chance a quem precisa!

Alguns vão dizer que tem muito brasileiro sofrendo com falta de emprego também. Mas, é diferente! O venezuelano está num mundo que não é o dele. Tem o preconceito. Tem a barreira da língua.

Brasileiro, aqui em Porto Velho ao menos, só não trabalha se não quiser!

Outros, ainda mais ousados, dirão que muitos preferem voltar para as ruas porque ganhavam mais e era mais “fácil”.

Bem, poder-se-ia pensar em uma espécie de cadastro das pessoas. Sei lá!

Ninguém está vendo isso, não?

O fato é que, se quiserem um motivo para não ajudar, darei um milhão de razões!

É até covardia acreditar que o governo/prefeitura, por mais bem intencionados que estejam, vão conseguir resolver o caos de Porto Velho (para não dizer do Estado inteiro – sim, até em Cacoal já tem venezuelano) sozinhos.

O que a sociedade vai fazer?

O que cada um de nós vai fazer?

Quem está disposto a ajudar????

_________________

Dedicado ao Jovem Gilberto Trindade, o “Beto”, que partira tão cedo, menos de meio século de vida; mas que, mesmo assim, foi o bastante para aproveitá-la ao máximo. Tudo o que poderia. Ele completaria, no próximo dia 27, apenas 46 anos…

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REGINALDO TRINDADE

Procurador da República. Pós-Graduado em Direito Constitucional. Membro da Academia Rondoniense de Letras. Idealizador da Caravana da Esperança, do Bazar da Solidariedade do Movimento FAROL DE ESPERANÇA – Resgatando VIDAS! (anteriormente denominado Dio: O resgate de uma vida). Doador do Médico sem Fronteiras e do Greenpeace. Colaborador da Associação Pestalozzi, da Casa Família Rosetta e da Associação Acolhedora Vencendo Gigantes (outrora Confrontando Gigantes)Ser humano abençoado.

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